segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

travessias

Minha avó paterna sempre pensou que eu fosse ser cientista. Ela atribui o simples fato d'eu observar moscas à atitude científica. Isso é o máximo para um pessoa sem instrução nos moldes ocidentais. A minha avó, Dona Maria, sempre dizia isso. Ela só não ficou sabendo qual caminho realmente decidi seguir. Eu segui o caminho da foto, e indepente de um caminho só, me sinto: poeta, cantora, bailarina, cientista social - nas horas vagas - com uma leve queda para a sociologia; e me sinto, naturalmente, um pouco escritora, por que não? eu sou fotografa - costumo transformar imagens em textos, quer dizer, imagens em textos lineares, circulares. Meu primeiro livro intelectualista foi um de literatura: 'Dom Casmurro', e depois uma infinidade de escritores e poetas brasileiros, portugueses, ingleses e franceses povoaram minhas ideias. O cinema francês também me informou sobre as peculiaridades da vida; daí, tive como entender o que o cinema brasileiro propunha em termos de ideias estéticas e filosóficas. Tudo isso foi muito bom. Tem a música (sem comentários).  'Assim falava Zaratustra'... o 'Processo', as literaturas de Dostoiévski, Kafka, Beckett, Goethe, Cortárzar, e é claro que antes de tudo isso, ou melhor, por entre as linhas, o mérito eu devo, é claro, aos gregos, Homero e Vergílio, e tudo isso e um pouco mais que a vida ofereceu em termos de experiência, foram acontecimentos frutíferos para as transiçães da minha mentalidade. Encontros e desencontros foram frequentes e importantes para entender uma coisa chamada desapego. Evoé.
 

sábado, 26 de dezembro de 2009

uns & outros


Entre um e outro
pretextos
Um e outro caminham
Entre um e outro
havia amor
Entre um e outro 
havia paixão
Entre um e outro
havia livros
cidades  
fotografias
Entre um e outro
havia lição 
havia encontro 
havia esse amor pelas mesmas coisas
despreendimento material 
Chegou um dia em que 
Entre um e outro
havia desencontro
 havia um abismo 
chamado distância
que nem mesmo o tempo cessaria
na lembrança dessa da doce solidão





sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

da câmera que retém o tempo


O tempo é vigente, físico e social; de modo geral, o tempo nada negligente, entretanto, existente, de modo linear, parece não retornar; sua proeza é voraz, parece sempre avançar. Nós inventamos o tempo. Percebo o tempo quando olho no espelho e vejo as linhas de outrem em mim. E desenho o tempo de dentro de mim, de dentro de uma câmera fotográfica retroreprográfica, absolutamente imaginária, de horizonte profundo, absurdo! idílico assim. Percebo o tempo quando já não entendo a distância entre mim e outrem. Percebo o tempo quando venta & o céu muda de cor & vejo o balanço das folhagens do pomar daqui de casa. Percebo o tempo quando chove. Percebo a chuva porque ela cai físicamente e é comprovada cientificamente,  formada pelo calor do tempo, e formação de nuvens que vem... dilacerante, cortante, numa alta velocidade, rajada do céu, ora azul, cai gelada a danada que chega a molhar; olho lá fora, a diferença, e reparo quanto tempo falta para que certos cenários se concretizem na paisagem imaginária que criamos, para dar sentido à esse tempo inventado, inventado num ideal de projeto futuro; e tudo tudo é projetado meio assim, face ao tempo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

travessia

litoral sul sp
brasil
'travessia'
carla bispo & george sander 
[câmara clara]

já é longe o tempo
da madrugada
que bonita canção se ouve
eu não quero ouvir falar
em sobrenomes
deixa o vento
com seu ofício de lamento
rondar 

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Castela





'Imagens em Castela'  



Se alguém procura a imagem  
da paisagem de Castela 
procure no dicionário: 
meseta provém de mesa.  

É uma paisagem em largura, 
de qualquer lado infinita. 
É uma mesa sem nada 
e horizontes de marinha  

posta na sala deserta 
de uma ampla casa vazia, 
casa aberta e sem paredes, 
rasa aos espaços do dia. 

(...)  

João Cabral de Melo Neto 
in: 'Morte e Vida Severina e outros poemas'  

locação litoral sul, sp - brasil 
da performance travessia 
ideia original george sander & carla bispo [camara clara]

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

arquitetura, cultura & história

arquitetura e história
vila itororó, bixiga - bela vista
carla bispo [câmara clara]
national geographic magazine
brasil sp 
em janeiro 2010 nas bancas do mundo.

Enviado às 18:06 (GMT-02:00). Horário atual no local de envio: 21:42. De: [@ngs.org] Para: "carla bispo [câmara clara]" data17 de dezembro de 2009 18:06 assuntoENC: BEST EDIT 12/17/09 -- FELIZ NATAL, CARLA! Assunto: BEST EDIT 12/17/09  

Carla, beleza?

 

Enfim, concretizou-se sua estreia na NG! A página deu certo! Tanto que os editores americanos escolheram ela como uma das melhores da semana entre todo o editorai produzido pelas 30 edições estrangeiras da National (abaixo).

 

Parabéns!


Hello partners, The Best Edit winners this week are Germany for their Wildlife Core page about the reintroduction of the Eurasian Lynx to the Harz Mountain region and Brazil for their Culture Core page on the challenge of preserving a historic area versus displacing the people who currently live there. The layouts are posted. Congratulations to Germany and Brazil, Darren

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

mar pictórico mar



litoral paulista
verão
carla bispo [câmara clara]

mar, pictórico mar 
quanto de teu sal 
te torna quente, lacónico;  
quantos te olham, não te vêem 
mar  
para te notar não é preciso pintar
você
pictórico mar
sim, fora preciso te pintar para te notar (em) 
te pintar não é preciso;
te pintar  
(teu) mar
de sal

nadar!
em teu seio, hei, mar 
- pictórico mar!


quem sou

Minha foto
carla bispo
uma fotógrafa, humanista, que faz música nas horas vagas
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