Minha avó paterna sempre pensou que eu fosse ser cientista. Ela atribui o simples fato d'eu observar moscas à atitude científica. Isso é o máximo para um pessoa sem instrução nos moldes ocidentais. A minha avó, Dona Maria, sempre dizia isso. Ela só não ficou sabendo qual caminho realmente decidi seguir. Eu segui o caminho da foto, e indepente de um caminho só, me sinto: poeta, cantora, bailarina, cientista social - nas horas vagas - com uma leve queda para a sociologia; e me sinto, naturalmente, um pouco escritora, por que não? eu sou fotografa - costumo transformar imagens em textos, quer dizer, imagens em textos lineares, circulares. Meu primeiro livro intelectualista foi um de literatura: 'Dom Casmurro', e depois uma infinidade de escritores e poetas brasileiros, portugueses, ingleses e franceses povoaram minhas ideias. O cinema francês também me informou sobre as peculiaridades da vida; daí, tive como entender o que o cinema brasileiro propunha em termos de ideias estéticas e filosóficas. Tudo isso foi muito bom. Tem a música (sem comentários). 'Assim falava Zaratustra'... o 'Processo', as literaturas de Dostoiévski, Kafka, Beckett, Goethe, Cortárzar, e é claro que antes de tudo isso, ou melhor, por entre as linhas, o mérito eu devo, é claro, aos gregos, Homero e Vergílio, e tudo isso e um pouco mais que a vida ofereceu em termos de experiência, foram acontecimentos frutíferos para as transiçães da minha mentalidade. Encontros e desencontros foram frequentes e importantes para entender uma coisa chamada desapego. Evoé.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
sábado, 26 de dezembro de 2009
uns & outros

Entre um e outro
pretextos
Um e outro caminham
Entre um e outro
havia amor
Entre um e outro
havia paixão
Entre um e outro
havia livros
cidades
fotografias
Entre um e outro
havia lição
havia encontro
havia esse amor pelas mesmas coisas
despreendimento material
Chegou um dia em que
Entre um e outro
havia desencontro
havia um abismo
chamado distância
que nem mesmo o tempo cessaria
na lembrança dessa da doce solidão
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
da câmera que retém o tempo
O tempo é vigente, físico e social; de modo geral, o tempo nada negligente, entretanto, existente, de modo linear, parece não retornar; sua proeza é voraz, parece sempre avançar. Nós inventamos o tempo. Percebo o tempo quando olho no espelho e vejo as linhas de outrem em mim. E desenho o tempo de dentro de mim, de dentro de uma câmera fotográfica retroreprográfica, absolutamente imaginária, de horizonte profundo, absurdo! idílico assim. Percebo o tempo quando já não entendo a distância entre mim e outrem. Percebo o tempo quando venta & o céu muda de cor & vejo o balanço das folhagens do pomar daqui de casa. Percebo o tempo quando chove. Percebo a chuva porque ela cai físicamente e é comprovada cientificamente, formada pelo calor do tempo, e formação de nuvens que vem... dilacerante, cortante, numa alta velocidade, rajada do céu, ora azul, cai gelada a danada que chega a molhar; olho lá fora, a diferença, e reparo quanto tempo falta para que certos cenários se concretizem na paisagem imaginária que criamos, para dar sentido à esse tempo inventado, inventado num ideal de projeto futuro; e tudo tudo é projetado meio assim, face ao tempo.
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
travessia
litoral sul sp
brasil
'travessia'
carla bispo & george sander
[câmara clara]
já é longe o tempo
da madrugada
que bonita canção se ouve
eu não quero ouvir falar
em sobrenomes
deixa o vento
com seu ofício de lamento
rondar
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Castela

Se alguém procura a imagem
da paisagem de Castela
procure no dicionário:
meseta provém de mesa.
É uma paisagem em largura,
de qualquer lado infinita.
É uma mesa sem nada
e horizontes de marinha
posta na sala deserta
de uma ampla casa vazia,
casa aberta e sem paredes,
rasa aos espaços do dia.
(...)
João Cabral de Melo Neto
in: 'Morte e Vida Severina e outros poemas'
locação litoral sul, sp - brasil
da performance travessia
ideia original george sander & carla bispo [camara clara]
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
arquitetura, cultura & história
.jpg)
arquitetura e história
vila itororó, bixiga - bela vista
carla bispo [câmara clara]
national geographic magazine
brasil sp
em janeiro 2010 nas bancas do mundo.
Carla, beleza?
Enfim, concretizou-se sua estreia na NG! A página deu certo! Tanto que os editores americanos escolheram ela como uma das melhores da semana entre todo o editorai produzido pelas 30 edições estrangeiras da National (abaixo).
Parabéns!
Hello partners, The Best Edit winners this week are Germany for their Wildlife Core page about the reintroduction of the Eurasian Lynx to the Harz Mountain region and Brazil for their Culture Core page on the challenge of preserving a historic area versus displacing the people who currently live there. The layouts are posted. Congratulations to Germany and Brazil, Darren
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
mar pictórico mar



litoral paulista
verão
carla bispo [câmara clara]
mar, pictórico mar
quanto de teu sal
te torna quente, lacónico;
quantos te olham, não te vêem
mar
para te notar não é preciso pintar
você
pictórico mar
sim, fora preciso te pintar para te notar (em)
te pintar não é preciso;
te pintar
(teu) mar
de sal
nadar!
em teu seio, hei, mar
- pictórico mar!
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